🍀Ir à Expo Revestir é, para mim, um exercício de resistência.
Todos os anos, o setor se reúne para celebrar o "novo", o "tendência" e, invariavelmente, o alto padrão. Caminho por corredores que movimentam milhões e, confesso: volto com um desabafo entalado. Como profissional, é meu dever estar lá, mas como alguém que acredita em uma arquitetura centrada na pessoa, me pergunto: para quem estamos projetando?
A arquitetura não é uma composição de catálogo. Não é só combinar a pedra da moda com o metal do momento.
O toque que a alma reconhece
Notei um movimento interessante este ano: a obsessão em imitar o natural. As marcas estão ficando brilhantes em reproduzir o toque da pedra, a imperfeição da madeira, a porosidade da terra. Em um mundo onde os metros quadrados estão cada vez mais escassos e frios, essa busca pela neuroarquitetura na prática (o desejo visceral do humano de tocar o que é orgânico) é o que salva.
Mas o meu olhar, enquanto percorro esses estandes, é o de quem busca a escolha não óbvia. Aquela que cabe no seu planejamento financeiro, mas que transborda sensação.
O morar vai além do "bonito"
Desde 2020, o discurso de "casa com cara de casa" virou slogan de venda. Mas cuidado: autenticidade não se compra pronta. Ela nasce de se conhecer, de entender que uma iluminação residencial confortável , aquela que te abraça no fim do dia e não apenas "clareia o quarto", vale mais do que qualquer revestimento de luxo sem propósito.
Projetar espaços excepcionais não é sobre seguir a lista de desejos da feira. É sobre caminhar de mãos dadas com a clareza de quem você é.
Da Revestir 2026, eu não trago apenas amostras de materiais. Trago a reflexão sobre os egos que precisamos abandonar para que a arquitetura seja, finalmente, um lugar onde todos possam habitar e, principalmente, se reconhecer.
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